Número de crianças identificadas cresceu nos últimos anos, mas especialistas dizem que não se trata de “epidemia”
Os diagnósticos de TEA e TDAH aumentaram de forma consistente no Brasil nos últimos anos. Dados oficiais ajudam a explicar o cenário.
O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística identificou 2,4 milhões de brasileiros com diagnóstico de autismo, o equivalente a 1,2% da população. Entre crianças de 5 a 9 anos, o percentual chega a 2,6%. Já na educação básica, o Ministério da Educação registrou aumento de 44,4% nas matrículas de estudantes com TEA entre 2023 e 2024.
No caso do TDAH, estimativas do Ministério da Saúde indicam prevalência entre 5% e 8% da população infantil, índice semelhante ao observado internacionalmente. O crescimento no consumo de medicamentos específicos, monitorado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, também acompanha essa tendência de maior identificação e tratamento.
Mas isso significa que “surgiram mais casos”? Especialistas são cautelosos.
Segundo o psicólogo clínico e neuropsicólogo Bruno Garibaldi , de Rio Preto, transtornos do neurodesenvolvimento sempre existiram, mas eram frequentemente confundidos com problemas de comportamento ou dificuldades escolares. Hoje há mais informação, critérios diagnósticos mais claros e maior acesso a avaliação especializada.
O avanço dos laudos, portanto, está ligado principalmente a três fatores: ampliação do conceito de espectro, maior preparo de profissionais e mais atenção de pais e escolas aos sinais precoces.
Não há evidência científica de uma epidemia recente. O que há é maior reconhecimento clínico e inclusão formal de crianças que antes ficavam fora das estatísticas.
com informações e foto Assessiva Comunicação

