O câncer colorretal é o terceiro tipo de câncer mais diagnosticado no mundo e a segunda principal causa de morte por câncer, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, também representa um importante problema de saúde pública, com cerca de 45 mil novos casos registrados por ano, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A doença geralmente se desenvolve de forma lenta e, nas fases iniciais, pode não apresentar sintomas. Quando surgem, os sinais mais comuns incluem presença de sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, como diarreia ou constipação, dor abdominal, anemia e perda de peso inexplicada.

A tendência de aumento está relacionada, entre outros fatores, ao envelhecimento da população e a mudanças no estilo de vida. Dietas pobres em fibras, consumo frequente de carnes processadas, sedentarismo, obesidade, tabagismo e ingestão excessiva de álcool aumentam o risco de desenvolvimento do tumor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica alimentos como salsicha, bacon, presunto e linguiça como carcinogênicos, enquanto o consumo elevado de carnes vermelhas é considerado provavelmente carcinogênico.

Em contrapartida, hábitos saudáveis ajudam a reduzir esse risco. Segundo Enilton Monteiro Machado, médico e professor de coloproctologia no curso de Medicina da Afya Centro Universitário Itaperuna, o câncer colorretal está significativamente associado  ao ambiente e ao estilo de vida  “Uma alimentação rica em fibras, frutas e vegetais, aliada à prática regular de atividade física, por exemplo, pode diminuir de forma importante a probabilidade de desenvolver o câncer colorretal”, afirma o especialista.

De acordo com Luciano Souza, médico e professor de oncologia da Afya Ipatinga, esse cenário reforça a importância do rastreamento mesmo em pessoas aparentemente saudáveis. “Os tumores iniciais geralmente não causam sintomas. Por isso, recomenda-se iniciar os exames de rastreamento a partir dos 45 anos para indivíduos sem fatores de risco adicionais”, destaca.  O médico também destaca que a maioria dos tumores colorretais se desenvolve a partir de pólipos adenomatosos, pequenas lesões benignas que surgem na parede do intestino.

“Esse processo de transformação para o câncer costuma ser lento e pode levar cerca de cinco anos. Por isso, quando identificamos e retiramos esses pólipos durante exames como a colonoscopia, conseguimos interromper essa no”, explica.

Existem também síndromes hereditárias raras, como a Síndrome de Lynch e a Polipose Adenomatosa Familiar, que aumentam significativamente o risco de desenvolvimento da doença e exigem monitoramento específico. Nesses casos, o acompanhamento médico costuma começar mais cedo e pode incluir exames periódicos e avaliação genética, permitindo identificar alterações precocemente e reduzir o risco de evolução para estágios mais avançados do câncer.

Embora a maioria dos casos seja considerada esporádica, cerca de 25% têm relação com histórico familiar ou predisposição genética. Pessoas que têm parentes de primeiro grau diagnosticados com câncer colorretal, especialmente antes dos 60 anos, devem iniciar o rastreamento mais cedo e com acompanhamento médico.

7 sinais precoces de câncer colorretal que muitas pessoas ignoram

1. Mudança persistente no hábito intestinal

Alterações como diarreia, prisão de ventre ou alternância entre os dois, especialmente quando duram várias semanas sem motivo aparente.

2. Presença de sangue nas fezes

Pode aparecer como sangue vermelho vivo ou fezes mais escuras. Muitas pessoas associam apenas a hemorroidas e acabam não investigando.

3. Fezes mais finas que o habitual

Quando o calibre das fezes fica mais estreito por um período prolongado, pode indicar que algo está interferindo na passagem das fezes pelo intestino.

4. Sensação de evacuação incompleta

Mesmo após ir ao banheiro, a pessoa continua com a sensação de que o intestino não foi totalmente esvaziado.

5. Desconforto abdominal frequente

Cólica, inchaço, gases ou dor abdominal que se repetem com frequência e não melhoram com mudanças simples na alimentação.

6. Cansaço constante ou fraqueza

Pode ocorrer devido à anemia causada por pequenos sangramentos intestinais, muitas vezes imperceptíveis.

7. Perda de peso sem causa aparente

Emagrecimento involuntário, sem mudança na dieta ou aumento da atividade física.

A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer, mas, quando persistem por mais de duas ou três semanas, devem ser avaliados por um médico. Para os especialistas, campanhas como o Março Azul-Marinho são fundamentais para ampliar a conscientização da população. “O câncer colorretal é uma das poucas neoplasias em que podemos agir antes mesmo que a doença se desenvolva. Quando a população entende a importância dos hábitos saudáveis e dos exames de rotina, conseguimos reduzir significativamente os casos e salvar vidas”, reforça o oncologia. Nesse contexto, informação, prevenção e diagnóstico precoce, aliados a consultas médicas regulares e à realização dos exames recomendados, podem fazer toda a diferença no enfrentamento da doença.

com informações e imagem assessoria de imprensa Afya Centro Universitário