A Unimed São José do Rio Preto formalizou, na noite desta última segunda-feira (30), a adesão ao Pacto “Ninguém se Cala”, iniciativa do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher no ambiente corporativo. A cooperativa é a primeira empresa da cidade a integrar oficialmente o pacto.
A cerimônia reuniu diversas autoridades do sistema de Justiça, segurança pública, saúde e representantes da sociedade civil, entre delegados, promotores e presidentes de associações, evidenciando a mobilização conjunta em torno da causa.
A mesa de autoridades contou com o presidente da Unimed Rio Preto, Marcelo Lucio de Lima, a promotora de Justiça da Vara da Violência Doméstica, Dra. Heloisa Gaspar Martins Tavares, o promotor de Justiça João Santa Terra Junior e o procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Plínio Antônio Britto Gentil.
Ao aderir à iniciativa, a Unimed Rio Preto reforça a urgência do enfrentamento à violência contra a mulher, que se manifesta de diferentes formas, como física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Embora mais recorrente no ambiente doméstico, esse tipo de violência também pode estar presente nas relações de trabalho, o que destaca a importância de preparar instituições para identificar, acolher e encaminhar essas situações. Nesse contexto, o Pacto “Ninguém se Cala” atua como instrumento de mobilização e fortalecimento da rede de proteção.
Com a adesão, a Unimed passa a adotar medidas práticas de prevenção, acolhimento e encaminhamento de casos, incluindo a capacitação de equipes, definição de fluxos de atendimento e o fortalecimento de uma cultura organizacional baseada no respeito.
Para o presidente da Unimed Rio Preto, Marcelo Lucio de Lima, a iniciativa reforça o compromisso institucional com o cuidado integral. “Cuidar da saúde também é garantir segurança, respeito e dignidade para todas as mulheres que fazem parte da nossa instituição”, afirmou.
O promotor de Justiça de São José do Rio Preto, João Santa Terra Junior, destacou a importância do engajamento institucional no enfrentamento à violência. “O pacto representa um chamado à responsabilidade coletiva. Quando uma organização do porte da Unimed assume esse compromisso, ela contribui diretamente para ampliar a conscientização e estimular mudanças concretas na sociedade”, afirmou.
Já a promotora de Justiça da Vara de Violência Doméstica, Dra. Heloisa Gaspar Martins Tavares, trouxe o olhar da prática cotidiana no atendimento às vítimas. “Muitas mulheres ainda enfrentam dificuldades para reconhecer a violência e buscar ajuda. Ter instituições preparadas para acolher, orientar e encaminhar corretamente faz toda a diferença para que essas vítimas consigam romper o ciclo e acessar a rede de proteção”, destacou.
Com a adesão, a cooperativa amplia o cuidado com colaboradoras, médicas cooperadas, prestadoras de serviço e pacientes, com foco na identificação e no encaminhamento adequado de situações de violência, tanto no ambiente de trabalho quanto no atendimento assistencial.
A iniciativa também consolida ações que já vinham sendo desenvolvidas pela instituição, como o Agosto Lilás e outras campanhas de conscientização e incentivo à denúncia. A partir da adesão ao pacto, essas práticas passam a ser estruturadas de forma permanente, integrando a cooperativa a uma rede articulada de enfrentamento à violência contra a mulher.
Dados
A violência contra a mulher segue como um problema relevante no país. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o Brasil registra, em média, um feminicídio a cada seis horas, além de altos índices de violência doméstica, que representa a maior parte dos casos.
No estado de São Paulo, milhares de ocorrências são registradas anualmente, principalmente relacionadas à violência física, psicológica e ameaças, geralmente praticadas por pessoas do convívio da vítima.
Em São José do Rio Preto e região, houve aumento nas denúncias nos últimos anos, especialmente em 2025, quando a Delegacia de Defesa da Mulher passou a funcionar 24 horas por dia. O crescimento também se reflete na ampliação do número de medidas protetivas concedidas pela Justiça.
O aumento nos registros está associado à maior conscientização das mulheres e ao fortalecimento dos canais de denúncia, como o Ligue 180. Ainda assim, especialistas apontam que muitos casos permanecem subnotificados, o que reforça a necessidade de ampliar a rede de acolhimento e proteção.
com informações e foto Comunic Comunicação Estratégica

