Mais de seis em cada dez adultos das capitais brasileiras estão com excesso de peso. A proporção passou de 42,6%, em 2006, para 62,6% em 2024. No mesmo período, a obesidade mais que dobrou, saltando de 11,8% para 25,7%.
Os números fazem parte do Vigitel Brasil 2006-2024, do Ministério da Saúde e mostram que o avanço da obesidade não pode ser explicado apenas por falta de disciplina. Para o nutricionista Ronan Nakau, de Rio Preto, o ganho de peso envolve fatores como rotina corrida, acesso facilitado a alimentos ultraprocessados, sedentarismo, sono ruim, estresse e ansiedade.
“Tratar tudo como falta de força de vontade é um erro. Muitas pessoas comem mal porque vivem cansadas, ansiosas e sem tempo para organizar a própria alimentação”, afirma Nakau.
A ansiedade também pode aumentar a busca por doces, fast-food e outros alimentos ricos em açúcar e gordura. Em alguns casos, surgem episódios de compulsão, marcados pelo consumo exagerado e pela sensação de perda de controle.
“Não adianta apenas entregar uma dieta. É preciso entender por que aquela pessoa perde o controle, em quais momentos isso acontece e qual é a relação dela com a comida”, explica o nutricionista.
Dietas muito restritivas também podem piorar o problema ao criar um ciclo de proibição, exagero e culpa. Segundo Nakau, o tratamento precisa ser individualizado e, quando houver sinais de compulsão alimentar, pode exigir acompanhamento conjunto de nutricionista, psicólogo e médico.
“O objetivo não é buscar uma alimentação perfeita. É criar uma rotina possível, que possa ser mantida sem culpa e sem extremos”.
com informações e foto Assessiva Comunicação

