O recesso escolar é o momento em que muitos jovens buscam intensificar seus estudos para se prepararem para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado para os dias 8 e 15 de novembro. Nesse momento, porém, a principal estratégia não se refere a tentar aprender uma grande quantidade de conteúdos novos, mas consolidar as informações já adquiridas ao longo da Educação Básica e desenvolver mais segurança para a realização da prova, destaca o professor de matemática do Grupo Eureka, Valdir Carlos da Silva.

O especialista defende que os últimos meses de preparação dos candidatos sejam dedicados à revisão dos conteúdos essenciais, à identificação de pontos fracos e ao fortalecimento daquilo que o aluno já sabe. Segundo ele, diversos candidatos se veem obrigados a recuperar rapidamente todos os conteúdos que não dominaram ao longo da trajetória escolar, mas essa estratégia pode aumentar a ansiedade e comprometer o desempenho.

“A matemática, por exemplo, é uma área cumulativa em que o estudante resolve os problemas a partir dos conhecimentos que já construiu. Quando existem lacunas na aprendizagem, o cérebro não encontra os elementos necessários para estabelecer essas ligações”, explica.

O matemático recomenda ainda manter uma rotina frequente de resolução de exercícios. O objetivo, no entanto, não é decorar fórmulas ou repetir mecanicamente os mesmos problemas, mas aplicar os conceitos em diferentes situações e contextos. “É importante que o jovem vivencie o que está aprendendo, porque, senão, cálculo pelo cálculo é ‘decoreba’, e ‘decoreba’ a gente esquece em uma semana”, afirma.

Ganhar agilidade

Além do domínio dos conteúdos, a reta final também requer o desenvolvimento de estratégias para administrar o tempo de execução. No caso da matemática, um dos principais desafios é o grande número de questões, alguns com enunciados extensos, o que exige rapidez de raciocínio e tomada de decisão. Nesse cenário, o jovem que tem as noções básicas consolidadas, como operações fundamentais, regras de potência e radicais, tendem a solucionar problemas com mais segurança e fluidez.

“O cérebro vai armazenar elementos daquilo que utilizamos com mais frequência. Portanto, é válido resolver diferentes exercícios que tenham o mesmo objetivo de aprendizagem, em vez de repetir mecanicamente o problema diversas vezes”, afirma o professor. “O treino ajuda a manter a memória ativa para que, quando chegar o momento do Enem, o aluno consiga acessar as informações de forma rápida, quase como um reflexo muscular”.

“Porta dos sonhos”

O educador observa que o exame costuma ser visto como uma oportunidade de mudança de vida, o que aumenta o nervosismo tanto na preparação quanto no dia da prova. Para lidar com esse cenário, ele sugere que a avaliação comece com o próprio candidato reconhecendo seus pontos fortes e aquilo em que faz sentido evoluir. Isso o ajuda a traçar uma rotina de estudos e estabelecer metas realistas para os próximos meses.

“O Enem representa a realização de muitos sonhos. Quando o candidato entende seus objetivos e acredita que essa oportunidade pode transformar sua vida, ele encontra mais disposição para estudar e enfrentar os desafios do processo”, comenta.

BOX

Três erros para evitar

1. Querer aprender tudo o que ficou para trás

A proximidade da prova tende a gerar uma sensação de urgência, mas tentar recuperar todos os conteúdos não aprendidos em pouquíssimos meses provavelmente só irá acirrar a ansiedade e dificultar a consolidação dos conhecimentos essenciais.

2. Estudar apenas por leitura ou memorização

A revisão é essencial, mas precisa ser acompanhada pela resolução de exercícios. Aplicar os conceitos em diferentes situações contribui para fortalecer a aprendizagem e recuperar informações com mais facilidade.

3. Ignorar o ritmo e o formato do exame

Além do conteúdo, o Enem exige uma boa administração do tempo. Resolver edições anteriores e simulados levam o estudante a desenvolver habilidades para lidar com questões extensas e tomar decisões mais rapidamente.

com informações Tamer Comunicação_foto_arquivoJT